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Divindade da terra cultivada e do trigo foi a quarta esposa de Zeus. Desta união nasceu sua filha, Perséfone,que foi raptada por Hades e, por intermédio de Deméter, conseguia alternar tempos na escuridão com tempos sob o sol (quando então Deméter patrocinava a primavera). A vivência da morte no mito é a base projetada na transformação da semente. Deméter e sua filha foram veneradas por mais de duzentos anos através dos Mistérios de Elêusis.

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Sábado, Setembro 27, 2008



Benedicite

A dúvida tomava conta do coração de Maria. Ainda não havia decidido se iria ao encontro ou não, mas prefere estar pronta para o acaso. Tenta lembrar dos exercícios respiratórios, das técnicas de relaxamento, de cores tranquilizantes, mas ainda assim seu ritmo continua descompassado. Era agora ou nunca mais.
Ela chega ao restaurante e o vê de costas no mirante, observando as luzes da cidade. Está em forma, discretamente vestido, e assim de costas, a única coisa que ela pode observar é que os cabelos se tornaram grisalhos. Sente ímpetos de ir ao seu encontro e abraçá-lo, falar da sua saudade, mas sente-se grudada ao chão, com os pés de chumbo. Pensa em voltar para trás.
De repente, o rosto de Maria se ilumina. Aquele encontro, adiado tantas vezes, finalmente acontecia. Ele se volta e seus olhos se cruzam. Ela estava ali, diante do homem que povoou sua mente e protagonizou seus sonhos. Não sabia como reagir, não sabia se expressava sua felicidade ou se deixava ser tragada pela timidez. Ele a olhava como se olha a uma deusa, até que vencido o impacto inicial, ele lhe estende a mão e sorri com leve discrição ao perceber que a dela está gelada. Maria e João vivem aquele momento como se fosse o primeiro em suas vidas. O encantamento que os envolve parece tão denso quanto o tempo de espera.
João e Maria começaram a escrever a sua história em outro tempo. Jovens e imaturos foram vítimas do próprio medo, prisioneiros do destino. Talvez o mesmo destino que se encarregava agora de promover um novo encontro.
Foi um jantar simples, romântico, nostálgico, cheio de lembranças. Tudo que era ruim e feio foi esquecido em alguma curva do tempo. Viveram vidas separadas, sofreram os reveses do dia-a-dia, mas conseguiram se manter com o coração puro, sem mágoas, prontos para vibrar diante da simplicidade daquela noite de lua cheia, apreciada no ponto mais alto da cidade.
O vento frio ajudou a aproximar os corpos sedentos de afeto. Maria aconchegou-se àquele peito forte, o perfume gostoso e másculo a deixava inebriada, as mãos seguras lhe davam a certeza que não estaria mais só. Envelheceriam juntos. Acabaram sendo poupados da parte dolorida de todos os relacionamentos.
Uma noite fria, uma lua cheia, um casal maduro, uma esperança, um final feliz.

Segunda-feira, Setembro 22, 2008



A força do perdão

Esparramada sozinha na cama de casal, entre quatro travesseiros, aproveito a manhã de chuva para um passeio no interior de mim.
Os últimos tempos não foram convidativos para esses mergulhos, mágoas, impaciência, são sentimentos que fecham os portais
e me jogam para um isolamento cada vez mais difícil de romper. Não conseguir me ler, de alguma forma, impede-me de me escrever.
Se não me escrevo, também não me leio e acabo perdida dentro de uma teia tecida por mim mesma.
Busco a saída, mas os momentos de luz se tornam raros.
Eu errei. Sou errada em tudo que faço. Afoguei meu ser, sufoquei minhas palavras. No fundo eu queria usar a linguagem que ele entenderia.
-Perdão, ouço, sem identificar quem me fala.
Aconchego-me ainda mais ao travesseiro, indecisa se é isso mesmo o que quero.
Essas vozes são incômodas e, na maioria das vezes, é muito mais fácil encerrar esses papos com o meu inconsciente com um ríspido bloqueio.
Espreguiço-me languidamente, levanto-me, abro a janela para ver melhor o dia, respiro o ar molhado, encanto-me com
o violeta das flores da quaresmeira, encaminho-me para o banheiro com a decisão tomada. Ele foi claro. Sabe usar bem sua forma de expressão.
Esta manhã escura, chuvosa, fria, tem um mérito. Trouxe-me de volta à vida.
Saio com o meu sorriso do seu caminho. Não quero dor. Na minha cabeça martela o trecho que não foi cantado...
"É no espelho que eu vejo a minha mágoa
A minha dor e os meus olhos rasos d'agua
Eu na sua vida já fui uma flor
Hoje sou espinho em seu amor".

Perdoando a mim mesma perdôo a quem me magoou.
Eu me perdôo!!!


Domingo, Setembro 21, 2008



Primavera

Alice Capel


A primavera chegou.
A nuvem cinzenta do inverno
dá um tímido e silencioso
toque de adeus,
levando consigo quimeras
que se dissiparam.
Há expectativa de felicidade
no cântico matinal dos pássaros
e no encanto das flores que se desabrocham
coloridas.
As canções da natureza calam em nós
como seiva revitalizadora
das flores sugadas pelo beija-flor.
Tudo é alegria!!!
Ora, há translúcida luz do sol
iluminando toda a natureza,
ora,há chuva que nos purifica
e revitaliza nossas almas
em aconchego interior.
Os trovões e os relâmpagos
ainda nos intimidam como sinal
de alerta de que nada é eterno.
Porém, é primavera.
Que ela faça renascer em nossos
corações a alegria de vivermos
em harmonia com toda
a natureza.

Sábado, Setembro 20, 2008



Sou flor

Para viver a Primavera
Ainda plantada em solidão
Tornei-me frágil vegetal
Brinquei então de flor

Em meio a borboletas
Fui flor-botão
Flor-perfume, flor-beleza
de coloridos matizes

Estive no bouquet
Que celebrava a Vida
Estive na coroa
Que reverenciava a Morte

Adornei as juras escondidas
Consolei as lágrimas de saudade
Frágil, feneci sozinha
Num solitário de vidro
Na mesa de um jornal.


A flor e o espinho
(Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito e Alcides Caminha)

Tire o seu sorriso do caminho
Que eu quero passar com a minha dor
Hoje pra você eu sou espinho
Espinho não machuca a flor
Eu só errei quando juntei minh'alma à sua
O sol não pode viver perto da lua

É no espelho que eu vejo a minha mágoa
É minha dor e os meus olhos rasos d'água
Eu na tua vida já fui uma flor
Hoje sou espinho em seu amor

Tire o seu sorriso do caminho
Que eu quero passar com minha dor
Hoje pra você eu sou espinho
Espinho não machuca a flor
Eu só errei quando juntei minh'alma à sua
O sol não pode viver perto da lua